Em um cenário de profunda transformação econômica global, planejar a sucessão do patrimônio tornou-se uma urgência. Até 2045, estima-se US$ 84 trilhões em heranças transferidos de Baby Boomers para Millennials e Geração Z. No Brasil, somos o segundo país em riqueza herdável, com cerca de US$ 9 trilhões a serem repassados.
Com a reforma do ITCMD programada para 2027, 2026 surge como o ano decisivo para formalizar testamentos, holdings e doações em vida. Agir agora representa não apenas economia tributária, mas a garantia de um legado sustentável e harmonioso.
Globalmente, as projeções apontam US$ 68 trilhões de ativos a serem herdados nos EUA nos próximos 25 anos, seguidos pelo Reino Unido e Austrália. A UBS estima que US$ 83 trilhões passarão entre gerações, sendo US$ 9 trilhões horizontalmente e US$ 74 trilhões verticalmente.
No Brasil, a população acima de 75 anos, somada a 433 mil milionários, faz com que o volume herdável chegue a US$ 9 trilhões. Para cada adulto, a riqueza média cresceu 6,4% ao ano, descontada a inflação, e a mediana subiu 9%.
Entre abril de 2024 e abril de 2025, 91 novos bilionários surgiram por herança, recebendo coletivamente US$ 298 bilhões. Esses números reforçam a magnitude do desafio: sem planejamento, disputas familiares e perdas financeiras são quase inevitáveis.
O planejamento sucessório é o conjunto de atos que garante a transferência organizada e estável de patrimônio aos herdeiros. No Brasil, aumentos expressivos no registro de testamentos comprovam sua importância:
Além de reduzir custos processuais e tributários, o planejamento sucessório:
No Brasil, 90% das companhias são familiares, gerando mais de 50% do PIB e empregando 75% da mão de obra. Mesmo assim, apenas 24% contam com planos formais de sucessão e somente 5% chegam à terceira geração.
O agronegócio, representando 27,4% do PIB, é o setor mais preocupado: 54% das empresas veem a sucessão como prioridade máxima. Ainda assim, 72,4% dos negócios não possuem protocolos definidos para sócios e líderes.
Sem um direcionamento claro, decisões importantes ficam nas mãos de poucos ou, em situações de conflito, resultam em dissoluções indesejadas e perdas de valor.
Para estruturar um legado sólido, considere os seguintes instrumentos:
Em São Paulo, onde o ITCMD é de 4%, transferir parte do patrimônio antes de 2027 pode representar economia significativa. Aliar planejamento jurídico e tributário é fundamental para maximizar benefícios.
Millennials e Geração Z alteram o perfil de investimento: buscam alternativas como criptomoedas, arte, royalties musicais e ouro. Valorizam diversificação internacional e digital, múltiplas residências e cidadanias, impulsionados pela revolução da IA e globalização.
O mercado de migração de investimentos movimenta mais de US$ 21 bilhões por ano, forçando gestoras a ofertas globais e sustentáveis, adaptadas às exigências de sustentabilidade e luxo das novas gerações.
Com a proximidade das mudanças tributárias, liste ações priorizadas para este ano:
Além disso, mantenha diálogo aberto com herdeiros, esclarecendo expectativas e responsabilidades. A clareza reduz tensões e fortalece o vínculo familiar em torno do projeto sucessório.
Organizar seu legado financeiro vai além de economizar impostos: trata-se de preservar a harmonia familiar e garantir o futuro de quem você ama. A transferência de trilhões de dólares em riqueza está em curso, e agir antes de 2027 é um diferencial competitivo e emocional.
Assuma o protagonismo da sua própria história. Com planejamento cuidadoso, ferramentas apropriadas e comunicação eficaz, você transformará o desafio da sucessão em uma oportunidade de demonstrar cuidado, visão e liderança para as próximas gerações.
Referências